A 13ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva foi realizada em Cachoeira do Sul (RS), tendo como palco a planta industrial da Azeite Puro, da família Farina. O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), reuniu produtores e autoridades do setor.

Uma das questões mais debatidas durante o evento foi a recente decisão do governo federal de zerar a taxa de importação para azeites de oliva, gerando preocupação entre os produtores brasileiros.
O presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes, destacou os impactos climáticos adversos que afetaram as safras de 2024 e 2025 e questionou a viabilidade da isenção tributária. "No ano passado, o volume de azeite importado movimentou cerca de R$ 4,5 bilhões, dos quais aproximadamente meio bilhão de reais seriam arrecadados em impostos. Pergunto: é viável abrir mão dessa receita, que poderia ser investida em tantas outras áreas?", pontuou.
O Secretário da Agricultura, Clair Kuhn, reforçou a relevância da olivicultura para a economia gaúcha e destacou o potencial da cultura para diversificação e valorização da produção rural. "Apesar das dificuldades climáticas, o setor se fortalece a cada ano. A Secretaria está comprometida em apoiar iniciativas que impulsionem a produção e qualifiquem os produtores", afirmou Kuhn.





A programação do evento incluiu palestras, apresentações culturais, a degustação e visita ao lagar e a exibição de um vídeo em homenagem às mulheres do setor olivícola, em referência ao Dia Internacional da Mulher.
O avanço em Pesquisas de Oliveiras
Dando continuidade aos esforços para fortalecer a pesquisa no setor olivícola, o Ibraoliva oficializou um acordo de cooperação técnica com a Embrapa Clima Temperado e o Pró-Oliva. A parceria, estabelecida em reunião realizada na sede da Embrapa em Pelotas (RS), visa a criação de um grupo especializado em estudos sobre oliveiras.
Renato Fernandes, presidente do Ibraoliva, enfatizou que a iniciativa busca captar investimentos para fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento da olivicultura no Brasil. "Com esse acordo, pretendemos estruturar um fundo de pesquisas que envolva diversas instituições. A Embrapa demonstrou grande interesse e confirmou presença na Abertura da Colheita da Oliva", destacou Fernandes.

O protocolo de intenções firmado entre Ibraoliva, Embrapa e Seapi prevê a mobilização de apoios institucionais e recursos financeiros para impulsionar pesquisas e inovações no setor. Participaram do encontro na Embrapa Clima Temperado representantes da instituição, incluindo Rosane Martinazzo, Leonardo Ferreira Dutra, Sérgio Renan Alves, Rogério Oliveira Jorge e Jair Costa Nachtigal.
Com esses avanços, o setor olivícola brasileiro reforça sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento, buscando maior competitividade e qualidade na produção nacional de azeite.
A pesquisa é fundamental para o desenvolvimento e a competitividade da olivicultura brasileira, pois contribui diretamente para a expansão sustentável da cultura, o aumento da qualidade do azeite de oliva nacional e a valorização dos produtos derivados.
Entre os principais impactos da pesquisa na olivicultura, destacam-se:
1. Melhoria da Produção e Adaptação Climática
Estudos ajudam a identificar variedades de oliveiras mais adaptadas às diferentes condições climáticas do Brasil, como a Serra da Mantiqueira e a Campanha Gaúcha.
Pesquisas sobre manejo do solo, irrigação e nutrição contribuem para a melhoria da produtividade dos olivais.
2. Qualidade do Azeite e Derivados
A pesquisa permite o aprimoramento das técnicas de extração para obter azeites de oliva extravirgem de alta qualidade.
Análises químicas e sensoriais garantem a tipicidade e identidade dos azeites brasileiros, diferenciando-os no mercado.
3. Controle de Pragas e Doenças
Estudos sobre controle biológico e manejo integrado de pragas ajudam a reduzir perdas e minimizar o uso de agroquímicos.
Monitoramento de doenças é essencial para manter a sanidade dos pomares.
4. Sustentabilidade e Economia
O desenvolvimento de sistemas de produção sustentável, como a reutilização de resíduos da extração do azeite e práticas agroecológicas, melhora a rentabilidade dos produtores.
Pesquisas econômicas analisam a viabilidade de investimentos na olivicultura, ajudando produtores a tomarem decisões estratégicas.
A pesquisa desempenha um papel essencial na olivicultura brasileira, promovendo inovação, qualidade e sustentabilidade no setor. O avanço científico e tecnológico permite que o Brasil conquiste espaço no mercado global de azeites e derivados, fortalecendo produtores e consolidando o país como um polo emergente na produção de azeites de oliva de alta qualidade.
Durante o evento a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT) apresentou os dados sobre o Selo Produto Premium - Origem e Qualidade RS - uma certificação que envolve uma análise criteriosa dos azeites inscritos, contemplando aspectos físico-químicos e sensoriais para assegurar que os produtos atendam aos padrões de qualidade exigidos. Em edições anteriores, como a de 2022, 73 azeites de 29 produtores foram certificados, totalizando mais de 200 mil garrafas com o selo premium. Essa certificação não só fortalece a confiança dos consumidores nos produtos locais, mas também impulsiona a competitividade dos azeites gaúchos no mercado nacional e internacional. Produtores interessados em obter o selo devem atentar-se aos prazos e requisitos estabelecidos no regulamento para participar deste reconhecimento de excelência.
Essa iniciativa visa reconhecer e valorizar os produtores que se destacam pela excelência na produção, garantindo aos consumidores produtos de alta qualidade e procedência comprovada. O regulamento detalhado, incluindo os critérios de avaliação, está disponível no site oficial da SICT, e as inscrições podem ser realizadas até o dia 14 de abril de 2025.